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18 abr 2004

Prêmio Qualitas 2004: Belini defende novo acordo setorial para recuperação do mercado automotivo

O mercado automotivo brasileiro poderá crescer em 2004 mais que os 3,5% projetados para o Produto Interno Bruto (PIB) e, no curto prazo, voltar à marca de 1,7 milhão de veículos vendidos no mercado interno. Esta é a avaliação do superintendente da Fiat Automóveis para a América Latina, Cledorvino Belini, durante a solenidade de entrega do Prêmio Qualitas 2004, na presença de aproximadamente 200 dirigentes dos principais fornecedores da montadora. Para tanto, Belini aponta a necessidade de recuperação da confiança no país e de um acordo que estabeleça uma política industrial que busque o fortalecimento do mercado interno, com atração de plataformas modernas destinadas à exportação, além da geração de empregos.

A 15ª edição do Prêmio Qualitas, realizada na manhã desta segunda-feira (19/04), em Belo Horizonte, distinguiu 23 empresas fornecedoras da Fiat Automóveis que foram destaque em qualidade em 2003. Foram concedidos, também, prêmios especiais aos melhores desempenhos em redução de custos e, pela primeira vez, nas categorias Ecologia e Responsabilidade Social (relação abaixo).

A importância da qualidade como fator de competitividade para toda a cadeia produtiva foi a ênfase dos pronunciamentos do superintendente da Fiat, C. Belini, e do diretor da GM-Fiat Worldwide Purchasing, Vilmar Fistarol. Além de destacar a qualidade como "pré-requisito da liderança da Fiat", Belini ressaltou a necessidade de união do setor automotivo para a defesa de uma política industrial que, a exemplo das câmaras setoriais de 1992, possibilite a ocupação da capacidade instalada nas indústrias de autopeças e montadoras.

"Tenho plena convicção de que, com um novo acordo entre sindicatos, fornecedores, montadoras, concessionários e governo, vamos reencontrar o caminho do crescimento do mercado, com a inclusão de uma grande parcela de consumidores que, hoje, tem o carro zero como um sonho inacessível", afirmou Belini. Para ele, "se pudermos construir um cenário de confiança no futuro, com oferta de crédito barato e de longo prazo, e menor carga tributária, nosso mercado cumprirá as projeções de crescimento que justificaram os US$ 27 bilhões de dólares investidos nos últimos anos no parque automotivo."

Questão política

Segundo Belini, o acordo possibilitado pela Câmara Setorial do Setor Automotivo no início dos anos 90 elevou o mercado do patamar de 700 mil veículos/ano para a produção de 2 milhões de unidades em 1997. "Entretanto, no ano passado foram vendidas apenas 1,35 milhão de unidades no mercado interno, o que mostra que temos um enorme potencial para ser recuperado, voltando pelo menos ao patamar de 1,7 milhão de carros por ano no mercado interno", acrescentou.

As exportações "são um caminho necessário e desejável", disse o executivo, "mas não o bastante para preencher a capacidade instalada." Belini mantém o otimismo ao prever que haverá crescimento do mercado ainda este ano. "O mercado é muito influenciado pelos fatores macroeconômicos, mas acredito que a grande mola propulsora é a confiança que o consumidor deposita no futuro. Mais que um problema econômico, temos também uma questão política para resolver. A Fiat participará ativamente das gestões para alcançar este objetivo, como já fizemos em 92", assegurou.

Vocação para o carro compacto

De acordo com Belini, a má distribuição de renda no Brasíl é um problema histórico e afeta diretamente o negócio da indústria automotiva. "Basta ver que 50% das vendas no Brasil são de carros compactos, com preço até R$ 23 mil, e 70% ficam abaixo de R$ 33 mil", apontou. A solução, então, "é alargar a base do mercado", com a inclusão do potencial de 8 milhões de famílias que ganham de 5 a 10 salários mínimos e que hoje praticamente não têm como vislumbrar a compra de um carro zero.

Essa realidade, segundo Belini, comprova a vocação da indústria automobilística brasileira para a produção de carros compactos, tanto para o mercado interno quanto para exportação. "Acreditamos nisto porque todos os mercados no mundo cresceram nos últimos anos com os carros compactos", disse. "O carro compacto tem todos os atributos do veículo acessível aos consumidores: é barato, econômico, funcional e, de preferência, bonito."

O mercado mundial de carros compactos é de quase 8 milhões de automóveis por ano, dos quais 3,4 milhões são exportados pelos países produtores. O Brasil é o 11º produtor mundial de veículos, mas está entre os quatro maiores produtores de modelos compactos, atrás apenas da Espanha, França e Japão. "A indústria brasileira participa com 10% da produção mundial e pode ampliar esta fatia com maior economia de escala, menor carga tributária e novos acordos bilaterais", disse o executivo da Fiat. "O carro compacto é a mola propulsora do mercado brasileiro."

Os premiados

A 15ª edição do Prêmio Qualitas distinguiu 23 empresas fornecedoras da Fiat Automóveis, com seis menções especiais nas categorias "Peças e Acessórios", Redução de Custos", "Ecologia" e Responsabilidade Social", estas duas últimas premiadas pela primeira vez. A Fiat destacou também duas empresas com o "Prêmio Qualitas 5", concedido à NGK e à Enertec, pelo atendimento das expectativas da empresa nos últimos cinco anos.