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02 jun 2005
Belini, Presidente da Fiat, recebe título de industrial do ano.
O presidente da Fiat do Brasil, Cledorvino Belini, receberá nesta sexta-feira o título de “Industrial do Ano”, a mais alta condecoração concedida pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg). A solenidade acontecerá no Minascentro, em Belo Horizonte (MG), às 20h00, com a presença do vice-presidente da República, José Alencar, e do governador de Minas Gerais, Aécio Neves, anfitrionados pelo presidente da Fiemg, Robson Braga de Andrade.
O título de Industrial do Ano foi criado pela Fiemg para homenagear lideranças empresariais que contribuem efetivamente para o crescimento da economia de Minas Gerais. De acordo com o presidente da entidade, Robson Andrade, “ao eleger Belini como o Industrial do Ano de 2005, a Fiemg expressa o seu reconhecimento ao trabalho que ele desenvolve como dirigente máximo da Fiat Automóveis, empresa que, ao longo de sua história tem oferecido ao estado relevante a Minas Gerais e à sua economia, com um parque industrial que reúne 260 fornecedores, a maioria de Minas, e é responsável pela criação de 18,5 mil empregos diretos e indiretos no estado”.
“Em Belini reconhecemos as qualidades que moldam os grandes empreendedores - responsabilidade social, visão e ousadia, indispensáveis para a construção de uma economia forte, que gera desenvolvimento social e crescimento econômico”, acrescentou.
Belini, que acumula a presidência do Grupo Fiat no Brasil com a direção da Fiat Automóveis para a América Latina, foi um dos principais articuladores da consolidação do pólo automotivo de Minas Gerais, com o processo de estímulo à instalação de novas indústrias de componentes para o Estado que ficou conhecido como “mineirização”. De 1987 a 1997, em seu primeiro período na Fiat Automóveis (como diretor de Compras, Comercial e Geral), Belini comandou a atração de indústrias fornecedoras de autopeças e componentes para o entorno da fábrica da Fiat, em Betim, alterando significativamente não só a condição competitiva da montadora italiana como o próprio setor industrial mineiro.
Primeira indústria automobilística a se instalar fora do ABC paulista, a Fiat buscava soluções para o fornecimento de peças e componentes, com maior rapidez e menores custos logísticos. Com a instalação dos fornecedores no entorno da fábrica, a Fiat ganhou agilidade e competitividade, possibilitando tornar-se uma das mais eficientes empresas no sistema de suprimentos “just in time”, com ganhos significativos com a redução dos estoques, liberação de áreas para a operação industrial e menores custos com transporte, além de outros benefícios logísticos.
Também a economia de Minas ganhou com este processo, pois as novas empresas instaladas no Estado diversificaram o parque industrial mineiro, com maior geração de empregos e de tributos.
Em 1994, a Fiat Automóveis destinava às compras de materiais diretos (matérias-primas e autopeças) um total de US$ 1,3 bilhão, dos quais 40% eram destinados a fornecedores instalados no Estado (ou US$ 520 milhões). Já em 2003, com o processo de mineirização plenamente consolidado, o volume de compras da empresa saltou para US$ 1,7 bilhão, dos quais cerca de 70% foram negociados com fornecedores locais (US$ 1,2 bilhão).
“No final da década de 80, a participação de mercado da Fiat era de pouco mais de 13% e poucos fornecedores se dispunham a investir para instalar uma planta em Minas”, relembra Belini. O processo começou a se acelerar com a chegada das grandes empresas multinacionais. “Em 1992, fui ao Japão para negociar com a Nippondenso e propus ao presidente a construção de uma fábrica de ar condicionado no Brasil. Hoje, o grupo tem duas plantas em Betim, onde produz também chicotes elétricos”, conta ele.
Novo mapa produtivo
O “Panorama Automotivo”, publicação do Instituto de Desenvolvimento Industrial de Minas Gerais (INDI), traz um relato do processo de mineirização, evidenciando os seus resultados em termos de número de empresas instaladas, empregos gerados e faturamento do setor. Do total de 180 empresas (dados de 2000), cerca de 60% foram implantadas na década de 90, coincidindo com o “boom” do processo de “mineirização”. O principal pólo é o da Região Central do Estado, reunindo as empresas estabelecidas na Região Metropolitana de Belo Horizonte e aquelas localizadas em um raio de até 100 km de Betim. Neste pólo, estão instaladas 126 indústrias, ou 70% do total das empresas mineiras de autopeças.
A pesquisa do INDI revela também que o número de empregos gerados pelo setor de autopeças no Estado dobrou no auge do processo de “mineirização”.
Quanto ao faturamento, a pesquisa do INDI mostra que as receitas do segmento em Minas mais que quadruplicaram entre 1992 e 1999, saltando de US$ 340 milhões para US$ 1,416 bilhão, tendo seu recorde em 1997, ano em que a indústria automotiva brasileira alcançou o seu recorde de produção e vendas, com faturamento de US$ 2,3 bilhões.
Perfil
Cledorvino Belini, 56 anos, assumiu em fevereiro de 2004 o cargo de Diretor Superintendente da Fiat Automóveis para a América Latina e passou a acumular a partir de fevereiro de 2005 a presidência da Fiat do Brasil. É formado em Administração de Empresas pela Universidade Mackenzie e pós-graduado com mestrado na USP na área de Finanças. Possui também um MBA pelo INSEAD/FDC (França), obtido em 2002.
Belini atuou na Magneti Marelli Cofap de 1997 a 2004. Foi Presidente da Cofap, participou do processo de aquisição desta empresa pela Magneti Marelli e executou a reorganização societária, administrativa e operacional do grupo.
Na Cofap Amortecedores realizou a globalização da empresa, com a construção da fábrica em Tenesse (EUA), aquisição de uma fábrica de amortecedores na Itália e abertura dos Centros de Pesquisa e Desenvolvimento na Itália e ampliação do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento de Detroit (EUA). A partir de 1999, acumulou a função de CEO da Magneti Marelli do Brasil, onde realizou a integração das duas organizações.
De 1987 a 1993 foi diretor de Compras da Fiat Automóveis, destacando-se a racionalização do parque de fornecedores e a criação de uma base de fornecedores em Minas Gerais, vizinhos à fábrica de automóveis (a “mineirização”), o desenvolvimento da fábrica integrada e a implantação do just in time e do kanban, com redução drástica dos estoques.
No início da década de 90, foi vice-presidente da Anfavea – Associação Nacinal dos Fabricantes de Veículos Automotores.
A partir de 1994 foi Diretor Comercial e Diretor Geral da Fiat Automóveis. Foi o responsável pela introdução do sistemas de vendas Mille On Line, campanhas publicitárias e lançamento do Fiat Palio, o carro mundial da Fiat. Belini atuou também na Fiat Allis (1973 a 1986) e na IRF Matarazzo (1967 a 1973). Foi professor na Universidade São Marcos de 1975 a 1982.